Estava aqui pensando como poderia começar este humilde blog com o pé direito.
Nisso, vasculhando minhas coisas, vi o perfil que fiz para o jornal-laboratório Acontece sobre a pedagoga e minha chefe, Dagmar Garroux ou melhor: Tia Dag
Seu trabalho, visto sua qualidade, já foi muito divulgado na mídia. A Ong que ela preside, a Casa do Zezinho, situada na região do Parque Sto. Antônio, zona sul de São Paulo, é um verdadeiro exemplo de dedicação e humanidade. E digo isso pois trabalhei um bom tempo lá.
Segue a entrevista de Setembro de 2007:
Mãe da Esperança
Dagmar Garroux, a mulher que há três décadas dedica sua vida às crianças abandonadas pelo seu próprio país.
Por: Felipe Fernandes
Tia Dag, é assim que a pedagoga de 53 anos, Dagmar Garroux, é conhecida e faz questão de ser chamada. Há mais de 30 anos na área de educação, Tia Dag tem uma vasta história de lutas e conquistas; começou abrigando crianças marcadas para morrer na época da ditadura e hoje é presidente da ONG Casa do Zezinho, que auxilia mais de 1.800 crianças na região da cidade de São Paulo conhecida como o triângulo da morte.
Desde os 14 anos, quando ajudava a mãe empresária a cuidar de mendigos feridos no fundo de sua casa, Dagmar promove a luta contra a miséria e contra o não-acesso à educação: “Era um sonho antigo de uma bondade da educação, que pudesse haver uma transformação nesse país. Eu sonhava, na época, com uma educação de qualidade, que realmente escutasse os pobres, as pessoas que moravam na periferia; uma educação democrática” – diz ela. Essa ideologia sempre pôde ser claramente vista na atuação dos educadores da Casa do Zezinho, sempre buscando ajudar os jovens a buscar seus sonhos, cobrando sempre caráter e honestidade para que possam buscar uma identidade.
Hoje a CZ, abreviação utilizada por todos na casa, conta com uma completa e variada equipe de educadores, muitos os quais são ‘ex-zezinhos’, ou seja, quando mais novos eram parte das crianças e jovens assistidos pela ONG. Lá, os Zezinhos podem desfrutar de aulas de pintura, capoeira, dança, coral, percussão, musica clássica, padaria, mosaico, esportes, informática, entre outros.
A estrutura de 2900m², a Casa do Zezinho conta com diversas salas de aprendizado, entre elas ateliês de arte, padaria, sala de informática, estúdio de som e um recém-inaugurado galpão, além de enfermaria e sala de odontologia, tudo sempre muito bem equipado para que se possa cuidar dos zezinhos e seus familiares. Tantas opções para os jovens renderam à CZ o apelido de “O Sol do parque Sto. Antônio”.
Contudo, a vida da Casa do Zezinho não é, e nunca foi das mais fáceis. Sempre querendo crescer, é muito difícil arrumar patrocínios e doações para a casa, visto a desconfiança, burocracia e, também, tentativas de politicagem das empresas para com as ONG’s, o que na CZ, comprovadamente não acontece. “Não estou à venda” – Afirma Dagmar, convicta.
Nisso, Tia Dag já pode perceber resultados notáveis nesses quase 15 anos de Casa do Zezinho (foi fundada em abril de 1993), muitos de seus primeiros Zezinhos já estão formados, com trabalhos dignos e constituindo famílias, além do imenso crescimento no número de crianças e jovens beneficiados – “Começamos com seis hoje temos mais de 1800” – diz ela, orgulhosa.
Dagmar tem uma rotina pesada, entretanto trabalho parece nunca ser demais para ela. Quase sempre fica das 7h da manhã até 9h, 10h da noite na Casa do Zezinho e, quando não está lá, ajuda seu marido, o artista plástico Saulo Garroux, a cuidar de Dona Julieta, sua sogra de 96 anos ou ajudando seu filho Téio e sua nora Caroline a cuidar de sua neta, Valentina, que não tem nem um ano de idade.
Na realidade, até em suas férias Tia Dag não pára de trabalhar: Em uma viagem às montanhas de S.Francisco Xavier, no estado de São Paulo, percebera que não havia bibliotecas naquela cidade, nisso Dagmar arregaçou as mangas e tomou providências para que houvesse uma, como hoje há, de fato.
Seja dando aulas de cerâmica, seja abrigando jovens em sua casa, seja cuidando da sogra ou da neta, Tia Dag gosta do que faz e é, certamente, um exemplo de integridade, seriedade e perseverança para as Ongs tão estereotipadas pela população.

Bom, por hoje é isso, espero que tenham gostado
Em breve novas entrevistas.
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