Bem, acabaram as eleições municipais...
Acho que a melhor notícia de toda essa história foi que junto com a panfletagem, a hipocrisia política e tudo mais, foi-se embora o horário político. É óbvio que temos que ter um espaço na televisão para os políticos, mas enquanto o sistema do horário eleitoral for oportunista, hipócrita, mercadológico e acima de tudo, irritante, o povo jamais se interessará em acompanhá-lo. No fundo o que deveria ser o tempo e espaço para a análise dos candidatos, acaba sendo a meia-hora mais irritante do brasileiro que quer assistir em paz à televisão.
Em São Paulo, o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM) conseguiu se reeleger, no 2° Turno, vencendo a petista Marta Suplicy por mais de 1 Milhão de Votos. Marcelo Tas, em entrevista ao site http://www.brainstorm9.com.br/ disse que foi impressionante como seu ex-colega de faculdade, se transformar tão rapidamente de um prefeito carrancudo que mal sabia se expressar em um "gordinho folgado e serelepe". Ok, os principais concorrentes de Kassab não eram grande coisa (Marta, Alckmin e Maluf), no entanto temos de dar razão à petista quando ela diz que "o Democratas (ex-PFL) é o partido dos coronéis nordestinos, ACM, Sarney. É o partido do retrocesso". Reelegemos um prefeito que agrediu insanamente um homem que criticava o pífio sistema de saúde.
Por outro lado, até podemos "entender" a reeleição de Kassab, uma vez que, Gilberto Dimenstein, jornalista da Folha de S. Paulo, afirma em sua coluna do dia 7/10 que "Segundo o Datafolha: 55% dos paulistanos são da classe C; 34%, A/B. E apenas 11%, são das classes D/E. Temos, então, cerca de 89% que se sentem ou efetivamente são classe média." Logo, vemos que o pensamento de mudança não está entre os maiores planos dos paulistanos. Pelo menos Kassab é mais realista, mais administrativos e não rola em prerrogativas utópicas e promessas insensatas de Marta. Mas é bom que a terra da garoa não espere milagres.
Já no Rio de Janeiro, a situação é certamente mais preocupante. O hipócrita Eduardo Paes (PMDB) ganhou do intelectual Gabeira (PV) por pouco mais de 50 mil votos. Paes, antigo crítico ferrenho de Lula, vinculou, nessas eleições, sua imagem à do presidente. O peemedebista fez acusações covardes de Gabeira nas igrejas da cidade. Gabeira representava a mundança, o novo, a quebra de um status quo de bandidagem e ineficiência.
Arnaldo Jabor, em seu comentário radiofônico da rede CBN do dia 27/10. Ressalta que "1 Milhão de cariocas não foram às urnas." Não é possível que desse milhão, 56 mil não fossem a favor de Fernando Gabeira. A desilusão política é, de certa forma, compreensível, uma vez que vivemos em um mar de lama. No entanto a trajetória do "Verdista" é intocável. Segue abaixo um trecho da coluna do jornalista Ricardo Noblat (26/10):
"A trajetória política de Gabeira é marcada por um extraordinário paradoxo: ele ganha quando perde. Para ser mais preciso: só ganha quando perde.
Perdeu para a ditadura, apesar de tê-la golpeado algumas vezes. Exilou-se. Mas ao cabo venceu porque a ditadura desmoronou e ele pode voltar ao país com fama de herói. Soube aproveitá-la para dar início a uma carreira política convencional. Coleciona quatro mandatos de deputado."
(...)
Link para a íntrega da brilhante coluna: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=135705

Bom, a única coisa que podemos concluir dessa história toda: Pelo menos ACM Neto não se elegeu em Salvador.
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